PF aponta apartamento, viagens aéreas, show internacional e negócio na Bahia em investigação sobre Jaques Wagner e Banco Master

Foto: Agência Senado

A investigação da Polícia Federal que mira o senador Jaques Wagner (PT-BA) reúne indícios de uma série de benefícios supostamente recebidos pelo parlamentar por meio de pessoas ligadas ao Banco Master. Entre as vantagens citadas estão a negociação de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, o uso de aeronaves particulares, ingressos para um show internacional em Los Angeles e a relação com a privatização de uma rede de supermercados na Bahia.

Líder do governo no Senado, Wagner foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira (18), durante a nona fase da Operação Compliance Zero. A investigação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.

Segundo a Polícia Federal, o senador aparece como o “beneficiário central” de vantagens econômicas concedidas por integrantes do Banco Master. As suspeitas constam da decisão que autorizou a operação.

Apartamento e show nos Estados Unidos

De acordo com a investigação, a ligação de Jaques Wagner com o caso ocorre por meio do empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master e também alvo da operação.

Entre os elementos reunidos pela PF está uma conversa de novembro de 2024 em que Wagner encaminha a Lima informações sobre um imóvel que pretendia adquirir em Salvador.

A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 milhões“, escreveu o senador, segundo a investigação.

Outro episódio citado envolve a solicitação de ingressos para um show de uma cantora internacional realizado na Califórnia. Conforme a PF, os dois bilhetes para um camarote teriam custado R$ 63,3 mil. Em mensagens de novembro de 2023, Wagner pergunta ao empresário sobre os “ingressos de sábado”, recebendo como resposta:

Pronto amigo. Seguem os dois. Abs“.

Uso de aeronaves

A Polícia Federal também afirma que Jaques Wagner utilizou, sem custos, aeronaves vinculadas a Augusto Lima.

Em um dos casos, ocorrido em outubro de 2023, Lima teria disponibilizado um helicóptero para transportar o senador e familiares entre Salvador e a chamada “Ilha da Paixão”, propriedade do empresário.

Já em abril de 2024, segundo a investigação, Wagner solicitou ao empresário o contato de um piloto para realizar uma viagem ao Rio de Janeiro.

Para a Polícia Federal, essas vantagens estariam relacionadas à atuação do senador no Congresso Nacional em favor do Banco Master.

Defesa

Em nota, a defesa de Augusto Lima classificou as medidas adotadas pela Polícia Federal como “desnecessárias”, argumentando que o empresário já vinha colaborando com as autoridades há cerca de seis meses.

Segundo os advogados, as diligências deverão demonstrar que os fatos investigados são lícitos.

Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública“, afirma a nota.

Até fevereiro deste ano, Jaques Wagner negava qualquer ligação com as irregularidades envolvendo o Banco Master, classificando o caso como “falcatruas”.

Privatização da Ebal e criação do Credcesta

A investigação também resgata a relação entre Jaques Wagner e Augusto Lima durante a gestão do petista na Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, em 2017.

Na ocasião, o governo estadual buscava privatizar a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela rede de supermercados públicos Cesta do Povo. O ativo enfrentava dificuldades financeiras e acabou sendo arrematado por Augusto Lima em leilão por R$ 15 milhões.

O edital previa a operação do cartão consignado Credcesta, destinado a mais de 400 mil servidores, aposentados e pensionistas do estado, fator que aumentou o interesse pelo negócio.

Em declarações anteriores, Wagner admitiu que manteve reuniões com Augusto Lima para destravar a privatização, quando integrava a gestão do então governador Rui Costa (PT), atual ministro da Casa Civil.

Após a conclusão do leilão, o governo baiano concedeu ao Credcesta exclusividade de mercado por 15 anos. Posteriormente, Augusto Lima firmou parceria com o Banco Master para administrar o cartão, tornando-se sócio do banqueiro Daniel Vorcaro.