Entidades acusam manobras para manter supersalários após decisão do STF

Foto: Antonio Augusto/STF

Um grupo de oito organizações da sociedade civil divulgou nesta sexta-feira (8) um manifesto criticando medidas adotadas por órgãos públicos para manter os chamados penduricalhos e pagamentos acima do teto constitucional, mesmo após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que restringiu os benefícios.

A carta é assinada por entidades como Transparência Internacional – Brasil, Transparência Brasil, República.org e Fiquem Sabendo.

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Segundo o documento, desde o julgamento do STF, em março de 2026, teria havido um novo movimento para ampliar verbas indenizatórias e retirar parcelas remuneratórias do alcance do teto constitucional.

As entidades afirmam que alguns órgãos vêm utilizando mecanismos como:

  • equiparação de magistrados a docentes;
  • ampliação de pagamentos cumulativos;
  • criação de novas gratificações;
  • expansão da autonomia administrativa e orçamentária.

Carta cita R$ 20 bilhões acima do teto

De acordo com o manifesto, ao menos R$ 20 bilhões teriam sido pagos acima do teto constitucional entre agosto de 2024 e julho de 2025.

As organizações alertam que as medidas recentes podem ampliar ainda mais esse volume.

O texto também critica a ausência do Poder Executivo no debate sobre contenção dos supersalários.

O manifesto menciona decisões do Superior Tribunal Militar (STM) relacionadas à ampliação de gratificações e pagamentos adicionais a ministros militares ativos e inativos.

A carta também cita uma proposta da Advocacia-Geral da União (AGU) para ampliar hipóteses de reembolso no auxílio-saúde, incluindo despesas como academia e fertilização in vitro — medida posteriormente suspensa após repercussão negativa.

STF reforçou proibição nesta semana

Na quarta-feira (6), os ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes reforçaram que está “absolutamente vedada” a criação de novas verbas sem autorização expressa do Supremo.

Os ministros alertaram ainda que eventuais violações poderão gerar responsabilização penal, civil e administrativa.