Por que a Justiça eleitoral está impedindo Gleisi Hoffmann de falar sobre a situação de Deltan Dallagnol

Fotos: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados e Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná determinou que a deputada Gleisi Hoffmann (PT) remova, em 24 horas, publicação nas redes sociais em que afirma que o ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo) está inelegível até 2031. O descumprimento da ordem implica multa diária de R$ 1.000. A apuração é da colunista Monica Bergamo, da Folha de São Paulo.

A postagem reproduzia uma certidão emitida pelo TSE que registra a cassação do mandato de Deltan em 2023. Para a defesa de Gleisi, o documento prova que a inelegibilidade já foi reconhecida pela corte.

A desembargadora Gisele Lemke rejeitou esse argumento. Segundo ela, o indeferimento de um registro em eleição passada não define automaticamente a situação do candidato em pleitos futuros.

A magistrada avaliou que apresentar a inelegibilidade como fato consumado tem potencial para induzir eleitores ao erro, especialmente em período pré-eleitoral. A decisão classificou o conteúdo como mais próximo de desinformação do que de crítica política.

Gleisi e Deltan disputam o mesmo eleitorado no Paraná e são pré-candidatos ao Senado. Em 2023, o TSE cassou o mandato de deputado federal de Deltan por entender que ele pediu exoneração do MPF para escapar de processo disciplinar.

A defesa de Gleisi anunciou recurso e classificou as decisões do TRE-PR como censura. No mesmo tribunal, Deltan venceu uma ação movida pela petista para retirar um vídeo em que ele a critica pelo apoio à promoção de um ex-integrante da Lava Jato.