Pré-candidatos à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), Renan Santos (MBL) e Ronaldo Caiado (PSD) definem abordagens diferentes para lidar com os problemas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O caso envolve um pedido de dinheiro ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação é do Estadão.
Após o vazamento de áudios, Flávio perdeu mais de cinco pontos percentuais na pesquisa Atlas/Bloomberg. Pré-candidatos que disputam o mesmo eleitorado avaliam como reagir ao enfraquecimento do senador.
Zema criticou Flávio publicamente, recuou diante da reação do bolsonarismo e voltou a atacar na terça-feira, 19, em Santa Catarina. O ex-governador de Minas Gerais disse que as explicações do senador sobre a visita à casa de Vorcaro não foram convincentes.
Aliados de Zema afirmam que a estratégia é criticar a cada novo fato grave que surgir sobre o caso. O objetivo declarado é diferenciar o ex-governador do candidato bolsonarista para atrair eleitores independentes e da direita não bolsonarista.
O entorno de Zema teme que, sem essa diferenciação, o espaço seja ocupado por Renan Santos, do Missão, que disputa o mesmo público. A avaliação é que uma aproximação com Flávio tornaria o ex-governador menos competitivo com esse eleitorado.
Renan Santos adota o tom mais agressivo entre os pré-candidatos e afirma que vai continuar com as críticas. Em vídeo nas redes sociais, sugeriu que Flávio fosse levado a uma clínica e disse que o senador não tem condições de ser pré-candidato a nada.
A estratégia de Renan é disputar votos diretamente com Flávio no campo conservador, atraindo eleitores que ainda não têm alternativa definida. Um vídeo em que usa o caso Banco Master para defender que a direita não pode se associar à corrupção acumulou 1,2 milhão de visualizações.
Caiado adotou a postura mais contida: pediu explicações ao senador, mas não fez julgamento sobre o conteúdo dos áudios. Aliados descrevem a posição como ética, e a previsão é que mude apenas se houver abertura de investigação formal contra Flávio.
A pesquisa Atlas/Bloomberg indica que Zema seria o principal beneficiado com a saída de Flávio da disputa, saltando de 5,2% para 17%. Caiado iria a 13,8% e Renan a 8% no mesmo cenário sem o senador na corrida.