Juiz eleitoral explica regras para uso de IA nas eleições e faz alerta contra deepfakes

Foto: Bruno Vinsck/Jovem Pan Natal

O uso de inteligência artificial (IA) em conteúdos políticos durante a campanha eleitoral é permitido pela legislação brasileira, desde que respeite limites claros, especialmente no combate à desinformação. A avaliação é do juiz de Direito e especialista em Direito Eleitoral, Herval Sampaio, em entrevista ao programa Dê o Play, da Jovem Pan Natal.

Segundo o magistrado, não há proibição no uso da tecnologia em si, mas o emprego da IA precisa seguir princípios como transparência e boa-fé.

IA pode. Não pode usar IA para mentira, para propaganda negativa”, afirmou.

Transparência é regra obrigatória

De acordo com Herval Sampaio, um dos pontos centrais para o uso regular da inteligência artificial é a necessidade de identificar claramente quando a ferramenta foi utilizada na produção de conteúdo.

Está usando IA? Rotule. É você claramente dizer, sinalizar que utilizou a ferramenta”, explicou.

O juiz ressalta que essa identificação não elimina totalmente o risco de uso indevido, mas funciona como um indicativo de transparência e responsabilidade.

Quando você publiciza que está usando IA, você está dando um indício de boa-fé. E isso traz transparência”, pontuou.

Deepfakes e manipulação são proibidos

O magistrado fez um alerta direto sobre práticas consideradas ilegais no contexto eleitoral, como o uso de deepfakes — conteúdos manipulados com imagens ou vozes falsas —, além de disparos em massa e uso de robôs para influenciar o eleitorado.

De alguma maneira você vai usar imagem, voz e alterar, manipular… isso não pode”, reforçou.

Essas práticas são enquadradas como formas de desinformação e podem configurar irregularidades eleitorais, sujeitas a sanções.