Projeto da UERN realiza soltura de peixe-boi-marinho no interior do RN

Desde o resgate, o animal passou por um longo e criterioso processo de estabilização clínica, reabilitação e aclimatação até estar apto a retornar ao habitat natural

Foto: Reprodução UERN

Após seis anos de reabilitação, a fêmea de peixe-boi-marinho “Maria” foi devolvida ao mar nessa terça-feira (10), no Recinto de Aclimatação de Peixes-bois, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Estadual Ponta do Tubarão, em Macau. A soltura foi promovida pelo Projeto Cetáceos da Costa Branca (PCCB), da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern).

Maria encalhou ainda recém-nascida na Praia das Emanuelas, em Tibau-RN, no dia 24 de dezembro de 2019. O nome faz referência à data do encalhe, que coincide com as celebrações do Natal, em uma homenagem simbólica à sua mãe.

Desde o resgate, o animal passou por um longo e criterioso processo de estabilização clínica, reabilitação e aclimatação até estar apto a retornar ao habitat natural. Esta será a sétima soltura de peixe-boi-marinho realizada pelo PCCB, reforçando a continuidade e a relevância das ações de conservação da espécie no Rio Grande do Norte.

De acordo com o professor Flávio Lima, coordenador geral do projeto, cada soltura simboliza mais do que o retorno de um animal à natureza.

“Cada soltura representa não apenas o retorno de um animal ao seu ambiente natural, mas também a consolidação de anos de dedicação técnica e científica voltados à conservação do peixe-boi-marinho, espécie ameaçada de extinção no Brasil”, destacou.

Durante o processo de soltura, Maria foi equipada com um dispositivo de monitoramento por radiotelemetria (VHF e satelital), que permitirá o acompanhamento remoto de seus deslocamentos e comportamento no ambiente natural.

Segundo o analista de gestão e médico veterinário do PCCB, Augusto Bôaviagem, o monitoramento pós-soltura é essencial para avaliar a adaptação do animal.

“O acompanhamento permite identificar áreas de uso e compreender possíveis interações com atividades humanas ao longo da costa”, explicou.

O projeto também reforça o trabalho educativo junto às comunidades costeiras, especialmente pescadores, já que o equipamento pode chamar atenção. A equipe esclarece que o dispositivo não causa prejuízos ao animal e é fundamental para garantir sua segurança e adaptação após a reintrodução.

Em casos de encalhe ou avistagem de peixes-bois-marinhos com equipamentos de monitoramento, a população deve acionar imediatamente a equipe responsável pelos telefones (84) 99943-0058 (Natal e região) ou (84) 98843-4621 (Areia Branca e região).

As ações de resgate, reabilitação, estabilização, soltura e monitoramento de peixes-bois-marinhos integram o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia Potiguar (PMP-BP), condicionante do licenciamento ambiental federal exigido pelo Ibama.

O PMP-BP é executado pelo Projeto Cetáceos da Costa Branca, da Uern, por meio de convênio com a Petrobras e a Fundação para o Desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Rio Grande do Norte (Funcitern).