O aumento no preço dos combustíveis tem impactado diretamente a rotina de motoristas por aplicativo, que enfrentam dificuldades para manter a atividade sem prejuízos. Com o litro chegando a valores próximos de R$ 7,50, profissionais relatam que o custo para rodar tem consumido grande parte dos ganhos, tornando a atividade cada vez mais desafiadora.
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Há cerca de nove anos na profissão, o motorista Gilvan Sarinho afirma que o combustível já é a principal despesa do trabalho, superando gastos com manutenção e taxas das plataformas. Segundo ele, a conta muitas vezes não fecha. “A tarifa mínima hoje está em R$ 6,05. Como é que a conta fecha se o combustível está R$ 7,49?”, questiona. A percepção entre os trabalhadores é de prejuízo constante, mas muitos seguem na atividade por falta de alternativa no mercado.
Para tentar equilibrar as finanças, motoristas têm adotado novas estratégias, como rodar apenas em horários de maior demanda e evitar corridas consideradas pouco vantajosas. A prática de circular pela cidade em busca de chamadas, comum anteriormente, tem sido reduzida para economizar combustível. “Hoje a gente só aceita a corrida que realmente vale a pena, para não perder no final do dia”, relata.
Além do combustível, os custos com manutenção também pesam no orçamento e contribuem para a precarização do serviço, segundo a categoria. Motoristas afirmam que, caso os preços continuem em alta, muitos podem deixar as plataformas, o que tende a impactar diretamente os usuários, com aumento no tempo de espera e nas tarifas.
De acordo com o economista Helder Cavalcanti, o encarecimento dos combustíveis tem efeito em cadeia na economia, especialmente para trabalhadores que dependem do veículo para gerar renda. Ele orienta que, diante da volatilidade dos preços, manter o tanque abastecido pode ser uma estratégia para reduzir impactos de novos reajustes.
Entre os motoristas, o cenário já provoca mudanças mais profundas. Alguns profissionais têm buscado outras fontes de renda ou migrado para empregos com carteira assinada, utilizando os aplicativos apenas como complemento financeiro. A avaliação é de que, se o atual cenário persistir, a atividade pode se tornar inviável para uma parcela significativa da categoria.