A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisa 16 pedidos de registro de novos medicamentos à base de semaglutida, princípio ativo utilizado no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. A ampliação da concorrência ocorre após o fim da patente da substância no Brasil, em março deste ano, permitindo que outros laboratórios submetessem novas versões do medicamento para aprovação.
Ao todo, a agência recebeu 18 pedidos de registro. Um deles foi rejeitado em abril, referente ao medicamento Embeltah, da farmacêutica Dr. Reddy’s, enquanto outro foi aprovado no fim de maio: a caneta Ozivy, desenvolvida pelo laboratório brasileiro EMS para o tratamento do diabetes tipo 2. O produto chegou às farmácias em junho com preço a partir de R$ 497 por mês na dose de 1 mg, cerca de metade do valor do medicamento de referência.
Dos 16 pedidos restantes, seis já estão em análise técnica e outros dez aguardam avaliação da Anvisa. Entre os produtos está a Semavy, da Hypera Pharma, que iniciou o processo de definição de preço junto à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), etapa necessária antes da comercialização.
Segundo a Anvisa, a maior parte dos medicamentos em análise é formada por análogos sintéticos da semaglutida, produzidos por síntese química, além de biossimilares, que são versões biológicas semelhantes ao medicamento original. O Ozivy foi o primeiro análogo sintético aprovado no país e, por isso, foi registrado como um novo medicamento, e não como um genérico ou biossimilar do Ozempic.
Além do Ozivy, o mercado brasileiro já conta com as canetas Extensior e Poviztra, produzidas pela Eurofarma a partir de um acordo com a farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk. A aprovação de novas alternativas pode ampliar a concorrência e reduzir os preços da semaglutida, aumentando as possibilidades de acesso ao tratamento.
Apesar disso, a autorização da Anvisa não garante a oferta imediata dos medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A incorporação depende de análises de eficácia, segurança e custo-benefício realizadas pelo Ministério da Saúde. Atualmente, a pasta conduz um projeto piloto para avaliar o uso da semaglutida no tratamento da obesidade, enquanto a Novo Nordisk aguarda a análise de um novo pedido de inclusão do medicamento na rede pública com desconto de 59% sobre o preço atualmente praticado.
Com informações de O Globo