[AÚDIO] Potiguar desaparece após ser alistado para guerra na Rússia

Família busca respostas sobre desaparecimento do potiguar potiguar José de Arimatéia que não entra em contato desde o dia 2 de agosto

Potiguar está desaparecido há mais de 40 dias - Foto: Reprodução

Rayssa Vitorino
Repórter

O potiguar José de Arimatéia do Nascimento de Melo, conhecido como Maicon, de 33 anos, está desaparecido desde o dia 2 de agosto, ou seja. Natural de Bento Fernandes, no interior do Rio Grande do Norte, Maicon morava em Portugal, mas havia se mudado para a Rússia em março deste ano, sob a promessa de trabalhar na área de drones e computação. A expectativa, no entanto, transformou-se em medo quando foi surpreendido com o alistamento para servir na linha de frente da guerra russo-ucraniana, ocorrido em 26 de maio.

Em entrevista a 98FM, a irmã de Maicon, Maria Vanessa, de 30 anos, relatou os momentos de angústia da família. Segundo ela, o irmão havia se mudado para Portugal em julho de 2024. Em março de 2025, recebeu uma proposta para trabalhar na Rússia, mas foi enganado. “Esse rapaz, chamado Arthur Russo, abordou ele e outros brasileiros em Portugal com a promessa de emprego. Mas, quando chegaram lá, colocaram eles na linha de frente [do combate da guerra]. Meu irmão nunca teve experiência com armamento”, contou.

De acordo com Maria Vanessa, Maicon chegou a sofrer um ferimento em meio ao conflito e passou por uma cirurgia. “Ele me disse que tinha sido atingido em um bombardeio. Mandou fotos mostrando uma mangueira na barriga, ainda em recuperação. Mas, mesmo assim, cinco dias depois da cirurgia, colocaram ele de volta na linha de frente”, relatou a irmã.

O desaparecimento já dura mais de 40 dias, e Vanessa afirma que não recebeu qualquer retorno das autoridades brasileiras. “Já procuramos o Itamaraty, mas não temos resposta. Eu já falei com a Polícia Federal, porém, ela nos disse que não podia fazer nada, porque como ele foi abordado em Portugal, ela [Polícia Federal] tinha que esperar tipo uma resposta do Itamaraty para entrar em ação”, desabafou.

Vanessa revelou ainda o medo em torno de Arthur Russo, o homem apontado como responsável por levar Maicon e outros brasileiros para a Rússia. “Dizem que ele é muito perigoso. Acreditamos que pode até estar envolvido com tráfico humano. Eu tenho o contato dele, inclusive no WhatsApp, mas ele me bloqueou. Sei que já há uma investigação sobre ele”, disse.

Enquanto aguarda respostas, a família de Maicon tenta proteger a mãe, que tem problemas de saúde, da gravidade da situação. “Contamos para ela uma versão mais leve, porque não queremos piorar a condição dela. Mas, na verdade, nem nós sabemos a dimensão real do que aconteceu. Vivemos à espera de uma notícia, qualquer uma, que nos traga respostas sobre o paradeiro dele”, concluiu Vanessa.