O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa foi preso pela Polícia Federal sob suspeita de aceitar R$ 146 milhões em propina para favorecer o Banco Master. Mensagens de WhatsApp obtidas por auditoria externa indicam que ele interferiu diretamente em decisões que beneficiaram o dono do Master, Daniel Vorcaro.
As mensagens mostram que Costa definiu pessoalmente quais fundos ligados ao Master injetariam recursos no BRB durante um aumento de capital realizado em maio de 2024. A operação captou R$ 290 milhões por meio dos fundos Borneo, Delta e Verbier, todos com vínculos ao Master ou à gestora Reag.
Os fundos não podiam participar diretamente do aumento de capital, restrito a acionistas do BRB. Costa teria montado um esquema de triangulação usando acionistas como intermediários para viabilizar os aportes de forma irregular.
Ao fim dos processos de aumento de capital, que totalizaram R$ 1 bilhão, acionistas com vínculos ao Master passaram a deter 23,5% do BRB. A PF suspeita que as operações serviram para dar lastro à compra de carteiras de crédito fraudulentas do Master pelo banco público.
A gestão atual do BRB afirma que a instituição adquiriu R$ 26 bilhões em carteiras de crédito do Master entre julho de 2024 e outubro de 2025, parte delas consideradas inexistentes ou sem valor. O banco entrou com ação cível pedindo ressarcimento integral dos prejuízos.