A liberdade de imprensa no mundo está no nível mais crítico em 25 anos, segundo o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2026, divulgado nesta quinta-feira, 30, pela ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Pela primeira vez na série histórica, mais da metade dos 180 países avaliados está em situação “difícil” ou “muito grave”.
O Brasil avançou 11 posições em relação ao ano anterior e ocupa agora o 52º lugar no ranking, acumulando uma alta de 58 posições desde 2022. O resultado consolida uma trajetória de melhora contínua no país ao longo dos últimos quatro anos. A informação é do Estadão.
A RSF aponta, porém, que fatores como o assédio judicial — uso de processos na Justiça com fins intimidatórios contra jornalistas — ainda impedem que os índices brasileiros alcancem patamares mais satisfatórios. O ambiente para o exercício do jornalismo no país é considerado menos hostil, mas não livre de obstáculos.
Com o avanço brasileiro, o país ultrapassou os Estados Unidos, que recuaram sete posições e chegaram ao 64º lugar. A Argentina também registrou queda expressiva, perdendo 11 posições e ocupando o 98º posto, reflexo de um ambiente crescentemente hostil à imprensa no governo Javier Milei.
O diretor da RSF, Artur Romeu, afirma que o governo Trump “declarou uma guerra contra o setor de imprensa” e que essa postura tem efeito cascata, encorajando outros governos a adotarem retóricas beligerantes contra repórteres. O indicador jurídico foi o que mais caiu no período, impulsionado pelo uso de leis antiterroristas e de segurança nacional para criminalizar o jornalismo.
O ranking é calculado a partir de cinco critérios: condições políticas, jurídicas, econômicas, socioculturais e de segurança física dos jornalistas. Entre as causas da deterioração global, a ONG destaca o enfraquecimento da economia midiática, a criação de mecanismos legais repressivos e o estímulo institucional a discursos de deslegitimação da imprensa.