Câmara de Parnamirim paga mais de R$ 800 mil em diárias a vereadores e servidores em 2025

Foto: Divulgação/Câmara de Parnamirim

A Câmara Municipal de Parnamirim pagou o montante de R$ 807 mil a vereadores, servidores e jornalistas ao longo do ano de 2025, de acordo com o Menu de Transparência da Casa Legislativa obtido nesta quinta-feira (18).

O valor expressivo envolveu diárias para viagens a cidades como João Pessoa e Brasília. A maior parte do valor foi utilizado em programas de capacitação de agentes públicos e cursos de conhecimento integrado.

Entre os parlamentares, alguns nomes aparecem de forma recorrente ao longo de 2025, concentrando parte significativa dos recursos pagos em diárias:

  • Gabriel César de Oliveira Siqueira (vereador)
    Participou de ao menos quatro eventos ao longo do ano.
    Montante aproximado em 2025: R$ 17.587,50.
  • Leonardo Lima da Costa (vereador)
    Presença constante em cursos e congressos, com registros em fevereiro, abril, junho e setembro.
    Montante aproximado em 2025: R$ 18.090,00.
  • Irani Guedes de Medeiros (vereador)
    Aparece em diferentes períodos do ano, incluindo março, maio e setembro.
    Montante aproximado em 2025: R$ 17.587,50.
  • Thiago Fernandes da Silva (vereador)
    Participou de capacitações em João Pessoa e Brasília.
    Montante aproximado em 2025: R$ 17.587,50.
  • José Michael Lucena Diniz (vereador)
    Figura entre os mais frequentes, com registros em vários meses.
    Montante aproximado em 2025: R$ 18.090,00.
  • Rhalessa Cledylane Freire dos Santos (vereadora)
    Participou de eventos em João Pessoa, Brasília e Salvador.
    Montante aproximado em 2025: R$ 18.500,00, considerando diárias de valores distintos.
  • Raphaela da Silva Cruz (vereadora)
    Presente em capacitações e agendas institucionais em Brasília e João Pessoa.
    Montante aproximado em 2025: R$ 13.500,00 a R$ 14.000,00.
  • Jonas Monteiro Carlos Godeiro (vereador)
    Compareceu a diversos congressos ao longo do ano.
    Montante aproximado em 2025: R$ 18.090,00.

O vereador César Augusto de Paiva Maia, presidente da Câmara Municipal de Parnamirim, também está entre um dos que mais receberam em díarias, tendo o montante de R$ 17.587,50. Entre os servidores, o maior volume ficou com um agente legislativo, enquanto a jornalista da Casa teve participação pontual em eventos da área.

“Farra das Diárias”

A atual situação gera um paralelo com o escândalo da “Farra das Díarias”, investigada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) a partir de 2015. A investigação apontou que, um intervalo de dois anos, vereadores e assessores da Câmara Municipal de Parnamirim consumiram mais de R$ 1,1 milhão em diárias, segundo dados disponíveis no Portal da Transparência.

Os recursos foram utilizados, principalmente, para custear viagens a congressos e cursos de capacitação realizados fora do Rio Grande do Norte. Apesar do volume expressivo, faltavam comprovações públicas da efetiva participação dos beneficiados.

À época, a maior parte das viagens teve como destino cidades como João Pessoa, na Paraíba, e Fortaleza, no Ceará. Mesmo assim, os parlamentares não divulgaram compromissos oficiais nas redes sociais nem apresentaram à reportagem documentos que confirmassem a presença, como comprovantes de hospedagem ou certificados dos eventos.

O levantamento também mostrou dificuldades para verificar a realização das capacitações. Em alguns casos, as próprias empresas responsáveis pelos eventos não disponibilizaram listas de presença ou registros formais. Uma delas afirmou possuir a documentação, mas se recusou a fornecê-la, alegando preservação da privacidade dos participantes, mesmo com o uso de recursos públicos.

Questionada, a assessoria da Câmara informou que vereadores e servidores que recebem diárias devem apresentar, após o retorno das viagens, um relatório detalhando a agenda cumprida, podendo incluir registros fotográficos. No entanto, esses documentos não foram compartilhados com a imprensa. A justificativa apresentada foi a falta de autorização dos parlamentares para divulgação do material.

Na ocasião, o então presidente da Câmara, vereador Irani Guedes (Republicanos), preferiu não se manifestar sobre o caso. Outros parlamentares ouvidos negaram qualquer irregularidade, mas também não apresentaram provas que confirmassem a participação nos eventos na ocasião. No prosseguimentos das investigações, em 2020, 18 vereadores prestaram depoimento no âmbito da apuração.