Centrão adota neutralidade no primeiro turno e prioriza fortalecimento no Congresso

Partidos de centro evitam apoio a Lula ou Flávio Bolsonaro no primeiro turno e priorizam ampliar bancadas na Câmara e no Senado

Foto: Agência Senado

Os partidos do centrão têm consolidado uma estratégia de neutralidade para o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. A prioridade das legendas é fortalecer suas bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado, evitando vinculação antecipada às candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que lideram as pesquisas, mas também concentram altos índices de rejeição.

A federação formada por PP e União Brasil decidiu não integrar nenhum palanque presidencial no primeiro turno. Republicanos e Podemos também caminham para a neutralidade. Mesmo com a pré-candidatura de Ronaldo Caiado (PSD), os partidos de centro ainda não demonstraram disposição para unificar apoio em torno de um único nome.

A estratégia difere da eleição de 2022, quando PP e Republicanos declararam apoio a Jair Bolsonaro antes das convenções partidárias. Do lado de Lula, a aliança também ficou menor em comparação ao último pleito, após a saída de partidos como Avante e Solidariedade da frente ampla que o apoiou.

A ausência do centrão afeta principalmente os planos do PL, que buscava ampliar o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Hoje, a federação entre União Brasil e PP concentra cerca de 20,8% do tempo de propaganda, o maior entre as legendas, tornando seu apoio estratégico para qualquer candidatura.

Além da disputa presidencial, o centrão aposta na força conquistada nas eleições municipais de 2024, quando elegeu prefeitos em cerca de 63% dos municípios brasileiros. A ampla presença de prefeitos e vereadores fortalece o grupo para negociar apoio em um eventual segundo turno e manter influência junto ao futuro governo.

Enquanto PT e PL enfrentam dificuldades para ampliar suas alianças, candidatos da chamada terceira via tentam ocupar espaço na corrida presidencial. Ronaldo Caiado afirmou que buscará apoio do PP e do União Brasil, enquanto Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) também tentam se consolidar como alternativas à polarização política.

Com informações CNN Brasil