O PT avalia que o escândalo envolvendo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), já provoca desgaste na campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em reunião realizada nesta segunda-feira (22), integrantes da coordenação da campanha decidiram defender a saída de Wagner da liderança do governo para que ele possa se dedicar à própria defesa diante das investigações relacionadas ao caso Banco Master.
Nos bastidores, dirigentes petistas consideram que a permanência de Wagner no cargo ampliaria o impacto político da crise sobre Lula. A expectativa é de que o presidente tenha uma conversa definitiva com o senador nesta quarta-feira (24), em Brasília, para tratar da situação. Apesar disso, o discurso público do partido será o de confiança em Wagner, sustentando que um eventual afastamento ocorreria apenas para facilitar sua defesa.
A preocupação do PT foi reforçada por pesquisas internas analisadas durante a reunião, que indicam uma disputa presidencial mais equilibrada do que apontam os levantamentos divulgados até agora. Segundo a avaliação da cúpula petista, as revelações da Polícia Federal envolvendo Wagner reativaram entre parte do eleitorado a associação do partido a casos de corrupção registrados em governos anteriores.
Aliados do senador defendem que a senadora Teresa Leitão (PT-PE) seja escolhida para assumir a liderança do governo no Senado. A troca, no entanto, ainda não foi oficializada. O calendário político também influencia a decisão, já que Wagner pretendia ser apresentado como principal representante de Lula no Senado durante as comemorações da Independência da Bahia, em 2 de julho.
O receio dentro do governo é que novas revelações ampliem o desgaste político. Como mostrou o Estadão, delações do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, citaram relações da instituição financeira com integrantes do PT da Bahia. O estado é considerado estratégico para a campanha de Lula, que obteve ampla vantagem eleitoral na Bahia nas eleições de 2022.
Jaques Wagner é alvo da nona fase da Operação Compliance Zero. As investigações apontam suspeitas de recebimento de vantagens indevidas ligadas ao Banco Master, incluindo a negociação de um apartamento em Salvador e repasses financeiros a uma empresa ligada a familiares do senador. Durante a operação, também foram apreendidos valores em espécie e relógios em um de seus endereços.
O senador nega as acusações. Em sua defesa, afirma que os recursos encontrados têm origem legal e foram declarados. Sobre o imóvel investigado, sustenta que a negociação ocorreu de forma regular. A defesa apresentou recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar anular a decisão que autorizou as buscas e apreensões.
Participaram da reunião da coordenação da campanha de Lula o presidente nacional do PT, Edinho Silva, além de dirigentes partidários, parlamentares e integrantes da equipe responsável pela elaboração do programa de governo e da estratégia eleitoral para 2026.
Com informações de O Estado de S. Paulo