Crise interna ameaça mandato do presidente da CBF, Rogério Caboclo

O Globo

Uma crise interna deflagrada nas últimas semanas ameaça o mandato do presidente da CBF, Rogério Caboclo. Segundo reportagens da “ESPN” e do site GE o dirigente vive o momento mais conturbado da sua gestão iniciada em 2019. A razão seria o afastamento por motivo de saúde de uma funcionária da entidade que, de acordo com pessoas ouvidas pelos veículos, tem provas de desvio de comportamento de Caboclo.

Ela, no entanto, ainda não se pronunciou. Após seu afastamento, Caboclo, oficialmente, tirou uma semana de férias já programadas. Porém, fontes disseram ao “ge” que a saída dele de cena foi considerada abrupta.

A funcionária em questão é ligada ao ex-presidente da CBF Marco Polo Del Nero, a quem ela recorreu, há três semanas, após um episódio considerado inapropriado. A relação entre os dirigentes já não era das melhores antes e já se encaminhava para uma ruptura.

A conduta do presidente da CBF também tem sido criticada por presidentes das federações e outros funcionários da entidade. Eles consideram que Caboclo tem uma postura inapropriada para o cargo.

O vídeo de uma reunião de março seria um dos exemplos desta postura errática do dirigente. No encontro virtual, que discutia a continuação do calendário do futebol brasileiro em meio à pandemia, Caboclo se exaltou algumas vezes e, usando um palavrão, pressionou os clubes pela manutenção dos jogos.

Os relatos de quem circula pela entidade sobre os desvios de Caboclo com essa e outras funcionárias eram comuns, mas ainda não apontavam para algo grave. A CBF, que possui um setor de Compliance, sob os cuidados de André Megale, não confirma ter recebido qualquer denúncia sobre o comportamento do presidente.

Caboclo procurou o ex-presidente Ricardo Teixeira para ajudá-lo na crise, e no  momento, Teixeira e Del Nero articulam a possível saída de Caboclo nos bastidores. O nome mais forte para substituí-lo é o de Castellar Modesto Guimarães Neto, um dos oito vice-presidentes da CBF e ex-presidente da Federação Mineira de Futebol.

Pelo estatuto da CBF, em caso de vacância do cargo de presidente, o vice mais velho deve assumir (atualmente é Antonio Carlos Nunes) e convocar uma nova eleição dentro do prazo de trinta dias. Apenas os vice-presidentes podem participar do pleito.

Ação da FIFA

No caso específico de Caboclo, não há, até o momento, nenhuma investigação ou denúncia contra ele dentro da CBF. Dessa forma, tanto a Conmebol (segunda instância), quando a Fifa (última instância), não podem fazer interferências.

O maior imbróglio está na atuação política de Marco Polo Del Nero dentro da entidade para contornar a crise. Em abril de 2018, o Comitê Disciplinar da Fifa baniu definitivamente o ex-dirigente de todas as atividades relacionadas ao futebol por acusações de corrupção. Na Justiça dos Estados Unidos, foi apontado como receptor de propinas em troca de contratos de direitos da Copa Libertadores e da Copa do Brasil. Em segunda instância, a punição foi confirmada.

Com isso, Del Nero não pode atuar mesmo de forma informal em atividades ligadas ao futebol. No entanto, ele ainda continua influenciado os rumos da CBF e agora atuando na crise envolvendo Caboclo. Atitudes como essa não são permitidas e preocupam a Fifa.

Como a atuação de Del Nero é informal, é muito difícil de ser comprovada, a menos que seja feita uma denúncia com provas. Na prática, alguém teria que provar que os encontros dele com dirigentes da entidade brasileira buscam de alguma forma interferir na CBF.