Daniel Vorcaro admite crise de liquidez e diz que Master não ressarciu R$ 12 bi ao BRB

Durante o depoimento, Vorcaro explicou que desde 2018 o plano de negócios apresentado ao Banco Central era totalmente baseado no FGC. Foto: reprodução/ Banco Master

Em depoimento prestado ao Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 30 de dezembro, o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, confirmou que a instituição atravessava uma crise de liquidez, embora tenha negado problemas de solvência.

Segundo Vorcaro, o banco manteve todos os compromissos financeiros em dia até 17 de novembro, e a dificuldade enfrentada não teria origem em má gestão, mas sim em alterações no regulamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — elemento central da estratégia de negócios da instituição.

“Havia uma crise, que não começou recentemente, mas o Banco Master sempre foi solvente”, afirmou o banqueiro, destacando que as mudanças regulatórias ocorreram sob pressão de grandes bancos e afetaram diretamente a capacidade de captação da instituição.

Modelo de negócios dependia integralmente do FGC

Durante o depoimento, Vorcaro explicou que desde 2018 o plano de negócios apresentado ao Banco Central era totalmente baseado no FGC. De acordo com ele, essa estratégia estava em conformidade com as regras vigentes à época.

“O plano do Banco Master era 100% atrelado ao fundo, e isso não era irregular. Era a regra do jogo”, disse.

Ainda segundo o dono do banco, as alterações promovidas no FGC ocorreram em duas ocasiões, o que teria agravado a situação financeira ao reduzir a capacidade de captação de recursos.

Questionamentos sobre dívida bilionária com o BRB

Vorcaro também foi interrogado sobre a não devolução de aproximadamente R$ 12 bilhões ao Banco de Brasília (BRB). Em resposta, afirmou que foi surpreendido por um desfazimento em grande escala de créditos bancários.

De acordo com o banqueiro, esses créditos haviam sido originados pela empresa Tirreno, e a operação teria impactado diretamente a situação financeira do Banco Master.

Com informações da CNN Brasil