Fátima diz que é contra realização da Copa América no RN, mas não esclarece se vai vetar jogos no Estado

Jogos seriam realizados na Arena das Dunas, em Natal – Foto: Reprodução

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), afirmou nesta segunda-feira (31), em publicação pelas redes sociais, que não há “níveis de segurança epidemiológica” para a disputa de jogos da Copa América 2021 no Estado. A manifestação acontece horas depois de a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) anunciar que a edição deste ano do torneio será realizada no Brasil – com partidas disputadas possivelmente na Arena das Dunas, em Natal.

“O Rio Grande do Norte não recebeu nenhum comunicado oficial a respeito da realização da Copa América em território potiguar. Mas, apesar de sermos um dos Estados com estrutura física disponível, não temos hoje níveis de segurança epidemiológica para realização do evento”, escreveu a governadora, pelo Twitter.

“Ao contrário, estamos numa luta diuturna para amenizar os efeitos da pandemia, que está em um momento crescente por aqui. O Governo é, portanto, contrário à realização do evento no nosso estado”, complementou a gestora.

Ao PORTAL DA 98 FM, o presidente da Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF), José Vanildo, afirmou que a possível realização da Copa América 2021 em Natal depende de “detalhes institucionais”. Ele confirmou que recebeu comunicado da CBF alertando sobre a intenção de realizar jogos na capital potiguar. O dirigente não respondeu, porém, se a manifestação da governadora inviabiliza a realização do evento em solo potiguar. Ele apenas disse que o Governo do RN manifestou “desinteresse”.

Outro governo que já descartou a possibilidade de sediar a Copa América em seu estado foi o de Pernambuco. Em nota, a gestão do governador Paulo Câmara (PSB) escreveu que “o atual cenário epidemiológico não permite a realização de evento do porte da Copa América no território de Pernambuco”.

Mudança de sede

A Copa América 2021 ocorreria, inicialmente, na Colômbia e, posteriormente, na Argentina, mas os países desistiram. Com isso, a Conmebol decidiu sediar o evento no Brasil. As datas permanecem as mesmas – 13 de junho a 9 de julho.

As sedes ainda não foram divulgadas oficialmente, mas informações extraoficiais dão conta de que as cidades escolhidas teriam sido Manaus (AM), Brasília, Natal (RN) e Recife (PE). A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) fez contato com as federações desses estados.

A CBF deu aval para a realização dos jogos no País, em concordância com o Governo Federal. Há estados brasileiros que aceitariam receber as partidas e outros que não.

“Quero agradecer muito especialmente ao presidente Jair Bolsonaro e a seu gabinete por receber o torneio de seleções mais antigo do mundo. Igualmente meus agradecimentos vão para o presidente da CBF, Rogério Caboclo, por sua colaboração”, disse o dirigente máximo da Conmebol Alejandro Dominguez.

O Brasil foi escolhido com o argumento de possuir estádios em boas condições de uso, apesar de estarem alguns ociosos após a Copa do Mundo de 2014. A CBF se ofereceu.

Em um primeiro momento, o Brasil não era uma opção real, por causa da disputa simultânea do Campeonato Brasileiro. Estados Unidos e até Israel surgiam como alternativas para ‘salvar’ a competição. Mas a proximidade das sedes iniciais fez com que a Confederação Sul-Americana optasse pelo país vizinho.

A Colômbia foi retirada da competição por causa das manifestações populares de rua contra o governo que já duram mais de um mês. Foi a primeira a cair fora. A Argentina foi preterida por causa do aumento de casos de contágio do novo coronavírus no país. A AFA (Federação de Futebol da Argentina) parou o futebol argentino. Há uma semana, a Argentina registrava recordes diários de 35 mil casos e 745 mortes por covid.