Jean suspende transferências, mantém cerca de 300 funcionários da Petrobras no RN e afirma que Natal vai sediar diretoria da empresa

Presidente da Petrobras afirmou que venda dos campos no RN está mantida, mas transferências de funcionários estão interrompidas

Presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, durante visita à sede da empresa em Natal - Foto: Divulgação
Tiago Rebolo
Da Redação da 98 FM

O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, anunciou nesta sexta-feira (3) a suspensão do processo de transferência de funcionários da empresa que atuam no Rio Grande do Norte. Com a decisão, cerca de 300 trabalhadores que estavam prestes a serem transferidos para outras localidades, por ordem da direção anterior da estatal, vão permanecer em solo potiguar. O anúncio foi feito por Jean Paul durante visita à sede da empresa em Natal.

Atualmente, a Petrobras tem cerca de 500 funcionários no RN, que atuam na exploração de petróleo em campos terrestres e na refinaria Clara Camarão. A direção anterior da estatal tomou a decisão, contudo, de deixar de operar os campos – vendendo sua participação para empresas privadas, mantendo basicamente a refinaria. Com isso, aproximadamente 60% dos trabalhadores (cerca de 300) já tinham recebido a notícia de que seriam transferidos para outros polos.

Nesta sexta, Jean Paul afirmou que a venda dos campos está mantida, mas as transferências de funcionários estão interrompidas.

“Estão suspensas aquelas transferências que estavam programadas, engatilhadas automaticamente à venda dos ativos. Porque são pessoas que têm sua vida no Rio Grande do Norte. Eu, mais do que ninguém, sei como é bom vir morar no Rio Grande do Norte e ficar aqui, ser adotado pelo Rio Grade do Norte. Não quero que ninguém seja expulso, despejado do Rio Grande do Norte, porque vendeu o ativo”, afirmou Jean.

“A Petrobras não vai mais sair do Rio Grande do Norte. A gente já tem o que fazer, já sabe o que pode fazer”, acrescentou.

Segundo apurou o PORTAL DA 98 FM, a ideia do presidente da Petrobras é aproveitar os funcionários da empresa em outras atividades que serão exploradas no Estado, para além da extração de petróleo e do refino.

Presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, e governadora Fátima Bezerra (PT) – Foto: Reprodução

Diretoria em Natal

Durante a visita a Natal, o presidente da Petrobras anunciou, ainda, a criação de uma diretoria da empresa voltada para a exploração de energias renováveis – especialmente a energia eólica no mar, o chamado offshore eólico. A sede da diretoria será em Natal.

“Nós vamos fortemente para o offshore eólico e vamos ser os líderes no Brasil. E o melhor é agora: a sede disso vai ser nessa cidade. A sede de todo o offshore eólico da Petrobras vai ser aqui no Rio Grande do Norte. Quem quiser vir conversar sobre eólica, terá de vir a Natal”, destacou Jean Paul.

Governadora e funcionários comemoram

Presente na reunião, a governadora Fátima Bezerra (PT) comemorou os anúncios. “Isso demonstra a sua sensibilidade do ponto de vista social, e sua capacidade de estar à frente desta empresa estratégica de caráter estruturante para o nosso desenvolvimento”, afirmou a petista, ao lado de Jean Paul.

Coordenador-geral do Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte (Sindipetro-RN), Ivis Corsino não participou da reunião, mas celebrou a notícia dada por Jean Paul.

“A suspensão das transferências representa uma reavaliação da manutenção da Petrobras no Rio Grande do Norte. Jean Paul não sinalizou a ruptura dos processos de venda de ativos que estão em andamento. Ele abriu as possibilidades de novas fronteiras, como a questão de águas profundas, que é a margem equatorial, e a eólica offshore, que é uma promissora atividade. O Rio Grande do Norte é o estado com maior vocação para essa atividade, e o presidente Jean Paul, conhecedor dessa matéria, está pautando isso no processo de transição energética”, afirmou o coordenador.

Ivis Corsino afirma que, dos 300 funcionários que seriam transferidos imediatamente, a maioria é formada por profissionais que podem perfeitamente trabalhar nas novas atividades da empresa. “Tem muitos engenheiros que podem ser úteis para essas novas fronteiras que ele (Jean Paul) vislumbra para a Petrobras. Transferir e trazer de volta, além de ser mais caro, não seria tão lógico”, finalizou.