O governo do presidente Lula (PT) liberou R$ 16,1 bilhões em emendas parlamentares apenas em maio, o maior volume mensal registrado neste mandato. Segundo dados obtidos pela Folha de S.Paulo por meio da plataforma Siga Brasil, o aumento dos repasses ocorreu para atender ao novo calendário previsto no Orçamento e garantir apoio do Congresso à proposta que prevê o fim da escala 6×1.
O montante representa um salto expressivo em relação aos R$ 1,4 bilhão liberados em abril e supera o então maior volume de 2026, registrado em fevereiro, quando foram pagos R$ 2,5 bilhões.
Calendário de emendas impulsionou liberações
De acordo com auxiliares envolvidos na articulação política do Planalto, a aceleração dos pagamentos foi motivada pela necessidade de cumprir uma regra incluída na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026.
O chamado “calendário de emendas” determina que o Executivo repasse 65% das emendas parlamentares obrigatórias até o fim do primeiro semestre. A medida atende a uma demanda antiga dos congressistas, interessados em direcionar recursos para suas bases eleitorais antes do período de campanha.
Até o fim de maio, o governo havia pago R$ 14,5 bilhões dos R$ 37,8 bilhões previstos em emendas obrigatórias para 2026. Para cumprir a meta estabelecida na LDO, o Planalto ainda precisa liberar cerca de R$ 24,5 bilhões até o final de junho.
Fim da escala 6×1 entrou na negociação
Segundo integrantes do governo, além da exigência orçamentária, os repasses também ajudaram a consolidar apoio parlamentar para a votação do projeto que trata do fim da escala 6×1.
Na véspera da votação da proposta, em 27 de maio, o governo liberou R$ 2,9 bilhões em emendas. Duas semanas antes, em 12 de maio, quando Planalto e Câmara negociavam um acordo para a apreciação da PEC, outros R$ 3,4 bilhões foram pagos.
Antes de maio, a última vez que o governo havia realizado uma liberação bilionária em apenas um dia ocorreu em dezembro do ano anterior.
Comissões e aliados lideraram repasses
Dos R$ 16,1 bilhões pagos em maio, R$ 11,2 bilhões foram destinados a emendas individuais e R$ 3,3 bilhões a emendas de bancadas estaduais. Também foram liberados R$ 1,5 bilhão em emendas de comissão e R$ 25,2 milhões referentes a pagamentos atrasados de emendas de relator.
Entre os beneficiados, a Comissão de Assuntos Sociais do Senado liderou os repasses, com R$ 888 milhões liberados. Na sequência aparecem a Comissão de Saúde da Câmara, com R$ 354 milhões, além de bancadas estaduais e outros colegiados do Congresso.
Os primeiros parlamentares que aparecem individualmente entre os maiores contemplados são os senadores Eduardo Braga, com R$ 65 milhões, e Giordano, com R$ 61 milhões.
Valor só fica atrás de 2022
Em uma série histórica de dez anos, o volume pago em maio de 2026 só é inferior ao registrado em junho de 2022, quando o governo de Jair Bolsonaro liberou R$ 17,8 bilhões em emendas parlamentares em um único mês, considerando valores corrigidos pela inflação.
Naquele período, não havia um calendário obrigatório para os repasses, mas o governo buscava apoio do Congresso para ampliar o Auxílio Brasil às vésperas das eleições. O ano também foi marcado pela expansão das chamadas “emendas Pix”, transferidas diretamente para prefeituras e outras entidades.