As buscas e apreensões realizadas pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18), durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero, podem ampliar as investigações sobre as conexões políticas do Banco Master para além da Bahia. As diligências foram autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, e tiveram como alvo empresas ligadas ao empresário Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro.
Os agentes cumpriram mandados de busca nas empresas Terra Firme da Bahia Ltda e PKL One Participações, ambas vinculadas a Lima. Segundo as investigações, as companhias aparecem em diferentes frentes apuradas pela Polícia Federal relacionadas a possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master.
A PKL One é controladora do Credcesta, produto voltado para servidores públicos que reúne benefícios e serviços financeiros, incluindo crédito consignado. De acordo com o balanço do Banco Master referente a 2024, o Credcesta estava presente em 24 estados e 176 municípios.
Ao autorizar as buscas na Terra Firme, o ministro André Mendonça considerou indícios de que uma secretária da empresa teria enviado fotografias de presentes de alto valor destinados ao senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado. Já em relação à PKL One, a decisão levou em conta uma transferência de R$ 3,5 milhões realizada pela empresa para a BN Financeira, companhia criada em 2021 que tem entre seus sócios Bonnie Toaldo Bonilha, esposa do enteado do parlamentar.
As empresas ligadas a Augusto Lima já haviam surgido em etapas anteriores da investigação. No início das apurações, a Polícia Federal identificou que associações de servidores da Bahia, suspeitas de envolvimento na formação de carteiras de crédito consignado consideradas irregulares e posteriormente repassadas pelo Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), informaram à Receita Federal o telefone da Terra Firme da Bahia e um endereço eletrônico vinculado à empresa.
Dados levantados anteriormente apontam ainda que a Terra Firme da Bahia Ltda foi uma das empresas que mais receberam recursos do Banco Master em operações classificadas como prestação de serviços entre 2022 e 2025. Nesse período, os repasses somaram R$ 186 milhões. Já a ONG Terra Firme, vinculada ao mesmo grupo empresarial, recebeu aproximadamente R$ 74 milhões, ocupando a décima posição entre os destinatários desses pagamentos.
A ONG é presidida por Flávia Lima, conhecida como Flávia Arruda, ex-deputada federal e ex-ministra do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além de atual esposa de Augusto Lima.
Também foi alvo das medidas desta quinta-feira a executiva Andréa Lima Novaes, prima do empresário. Ela atua como representante formal do Credcesta desde a criação do negócio, em 2018, e também desempenha funções de destaque na Terra Firme.
Em nota, os advogados de Augusto Lima, Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebástian Mello, afirmaram que o empresário está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração e que as diligências realizadas pela PF nesta quinta foram “desnecessárias”.
Com informações Folha de S. Paulo