PF abre segundo inquérito para investigar ministro do STJ por suspeita de venda de decisões

Marco Buzzi passou a ser alvo de nova investigação no âmbito da Operação Sisamnes, que apura um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais.

Foto: Luiz Silveira/Agência CNJ

A Polícia Federal (PF) abriu um segundo inquérito para investigar suspeitas de venda de decisões judiciais envolvendo um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A nova apuração tem como alvo o ministro Marco Buzzi e faz parte dos desdobramentos da Operação Sisamnes, que investiga um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais em tribunais superiores.

A investigação foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a Polícia Federal afirmar ter identificado novos indícios durante as apurações. O inquérito tramita sob sigilo. Antes, a operação já havia resultado na abertura de um procedimento contra o ministro Moura Ribeiro, também do STJ.

Segundo as investigações, a PF voltou a analisar a relação entre uma das filhas de Marco Buzzi, a advogada Catarina Buzzi, e um empresário suspeito de intermediar a compra de decisões judiciais. Em um relatório anterior, a corporação havia sugerido aprofundar essa linha de investigação, mas um documento posterior concluiu que não existiam indícios de irregularidades na atuação da advogada. Novos elementos, no entanto, motivaram a abertura do inquérito.

Por meio da assessoria, Marco Buzzi afirmou que não mantém relação com as atividades profissionais de seus familiares e disse desconhecer qualquer investigação formal contra ele. A defesa de Catarina Buzzi também negou qualquer envolvimento com irregularidades e sustentou que relatórios da própria Polícia Federal afastaram a hipótese de participação da advogada em suposta venda de sentenças.

Além da nova investigação, Marco Buzzi responde a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) no STJ por acusações de assédio sexual. O julgamento está marcado para começar em 6 de agosto. O ministro está afastado do cargo e, caso seja considerado culpado, poderá perder definitivamente a função, conforme entendimento recente do Supremo Tribunal Federal sobre punições a magistrados.