Polícia identifica repasse de R$ 55 mil para Deolane em investigação sobre lavagem ligada ao PCC

Advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra Santos. Foto: Reprodução/ Instagram
A defesa de Deolane afirmou anteriormente que os valores recebidos tinham origem em serviços prestados como advogada - Foto: Reprodução

A Polícia Civil de São Paulo identificou um repasse de R$ 55 mil feito pela produtora musical GR6 Eventos para uma conta bancária da advogada e influenciadora Deolane Bezerra durante investigação sobre suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC). O depósito aparece em relatório da Operação Vérnix, que apura movimentações milionárias envolvendo integrantes da facção criminosa.

Segundo informações divulgadas pelo Estadão, o pagamento foi realizado pela empresa do empresário Rodrigo Inácio de Lima Oliveira, conhecido como Rodrigo da GR6, preso pela Polícia Federal em abril durante a Operação Narco Fluxo.

A defesa de Deolane afirmou anteriormente que os valores recebidos tinham origem em serviços prestados como advogada.

Investigação aponta movimentação milionária

De acordo com os investigadores, entre 2022 e 2024, a conta bancária mantida por Deolane em uma agência do Itaú, na Mooca, zona leste de São Paulo, recebeu R$ 3,1 milhões.

Os policiais destacaram especificamente a transferência realizada pela GR6 no relatório que pediu a prisão da influenciadora e de outros investigados na Operação Vérnix.

Segundo a polícia, empresas e pessoas ligadas ao suposto esquema de lavagem da cúpula do PCC movimentaram cerca de R$ 140 milhões no período investigado. Desse total, aproximadamente R$ 40 milhões teriam passado por contas vinculadas à advogada.

Dono da GR6 foi alvo de operação da PF

Rodrigo da GR6 foi preso pela Polícia Federal em 15 de abril durante a Operação Narco Fluxo, investigação que apura lavagem de dinheiro do crime organizado por meio de plataformas de apostas esportivas, as chamadas bets.

Além dele, os MCs MC Ryan SP e MC Poze do Rodo também foram detidos na operação. Um mês depois, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região determinou a soltura dos investigados.

Na época da prisão, a defesa de Rodrigo declarou que ele e a GR6 negavam qualquer prática ilícita e permaneciam à disposição das autoridades.

PF investigou empresário em outras operações

O empresário já havia sido investigado anteriormente pela Polícia Federal nas operações Latus Actio 1 e 2, que apuravam suposta lavagem de dinheiro para o PCC.

Apesar disso, a PF informou não ter encontrado provas que ligassem diretamente a movimentação financeira de Rodrigo à facção criminosa naquela investigação.

Em 2025, ele firmou acordo com o Ministério Público Estadual, reconhecendo crime de sonegação fiscal. O caso foi encerrado.

Operação mobilizou centenas de policiais

As investigações da Operação Narco Fluxo surgiram a partir de apurações sobre tráfico internacional de drogas ligadas à Operação Narco Vela, no porto de Santos.

A Polícia Federal mobilizou cerca de 200 agentes para cumprir 90 mandados judiciais em diversos estados brasileiros. Ao todo, foram expedidos 39 mandados de prisão temporária, dos quais 33 foram cumpridos.

A Justiça também determinou o sequestro de bens avaliados em até R$ 2,26 bilhões.