[VÍDEO] “Precisamos de tempo para nos preparar”, diz secretário de Desenvolvimento do RN sobre tarifaço de Trump

Segundo dados da própria Sedec, comentados pelo titular da pasta, o Rio Grande do Norte exporta atualmente para mais de 88 países

A expectativa do Estado é que, a partir desse posicionamento oficial, o governo federal atue na busca por soluções diplomáticas - Foto: Mayane Lins

O Governo do Rio Grande do Norte, por meio das secratarias e do setor econômico, está finalizando uma carta conjunta com os setores produtivos do estado como resposta ao aumento de tarifas comerciais anunciado pelos Estados Unidos. A expectativa do Estado é que, a partir desse posicionamento oficial, o governo federal atue na busca por soluções diplomáticas para amenizar os impactos da medida na economia potiguar e que, caso a tarifa de 50% imposta por Trump ao Brasil se mantenha, o RN comece a buscar novos mercados.

Um dos pontos da carta, segundo Silveira, é a solicitação de prorrogação do prazo de implementação da medida. A proposta acompanha um pleito já feito pelo governo federal, que tenta estender o início da tarifação para além dos 90 dias iniciais propostos pelos Estados Unidos. De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico do RN, Alan Silveira, a resposta, até o momento, não foi favorável. “Já houve uma rejeição, mas será solicitada novamente. Torcemos para que voltem atrás e que, pelo menos de início, acatem a prorrogação dos 90 dias, que é o tempo necessário para se organizar e se preparar”, explicou o secretário.

O documento, que deve ser concluído nesta quinta-feira (17), em reunião às 11h na sede da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), será encaminhado à governadora Fátima Bezerra, responsável por enviá-lo ao Itamaraty.

Para Alan Silveira, o governo estadual e os empresários foram surpreendidos com a elevação das taxas, que saltaram de 10% para 50% em um curto intervalo de tempo. “Mesmo a Sedec fazendo todo o monitoramento, a gente vinha acompanhando uma tarifa de 10%, e agora partimos para 50%. Tudo muda, são valores totalmente diferentes. Precisamos de tempo para organizar estratégias, buscar alternativas e tentar manter os fluxos comerciais ativos”, declarou.

Além do diálogo com o Itamaraty, o governo potiguar já estuda rotas alternativas para os produtos locais, apostando na diversificação de destinos e no aproveitamento de tratados internacionais em vigor. Segundo dados da própria Sedec, comentados pelo titular da pasta, o Rio Grande do Norte exporta atualmente para mais de 88 países e pode ampliar esse número com base em sete acordos comerciais ratificados e mais de 20 em negociação, incluindo parcerias do Mercosul com países como Cingapura, Índia e Egito.

“O RN tem uma abertura de mercado muito boa. Pretendemos fazer esse trabalho de buscar novos caminhos e meios para levar nossos produtos para esses outros países. Mas, como você falou, não se consegue da noite para o dia. O principal será a questão do diálogo. Acho que o diálogo é o melhor caminho para amenizar essa problemática gigante para o nosso país”, afirmou.

Silveira reconhece, no entanto, que a situação exige medidas imediatas. A expectativa de que as tarifas não se concretizem ainda existe, mas o governo estadual já trabalha com o cenário mais desfavorável. “Pode ser um blefe. Trump já fez isso com outros países. Mas temos que trabalhar com o que temos hoje. E o que temos é que, em 1º de agosto, uma tarifa de 50% será aplicada. Então, temos que começar a nos preparar para esse impacto”, concluiu.

Com o envio da carta e a mobilização dos setores produtivos locais, o Rio Grande do Norte busca não apenas uma resposta federal, mas também um caminho de ação conjunta capaz de preservar a economia estadual e proteger os empregos gerados pelas exportações.