
A pirâmide do futebol tem na sua grande base jogadores que ganham salários baixíssimos, 80% dos profissionais registrados no BID recebem 1 salário mínimo e trabalham quando muito quatro meses por anos, disputando Estaduais.
Quando de maneira irresponsável e sem conhecimento de causa começam novamente discutir uma eventual paralisação do futebol e função da explosão da Covid-19 no país, o pânico e a insegurança se instalam entre profissionais que vivem do futebol.
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O Relatório Global de Emprego da Fifpro, entidade de classe que representa os jogadores e jogadoras de futebol ao redor do mundo, mostrou no ano passado que mais de 45% dos pesquisados ganharam menos de US$ 1 mil (R$ 5,58 mil) por mês. Além disso, o salário médio mensal médio em todo o mundo variou entre US$ 1 mil e US$ 2 mil. Apenas 2% dos jogadores receberam mais de US$ 720 mil por ano em pagamento. O relatório diz respeito ao mercado global, mas serve como espelho do ecossistema do futebol brasileiro. Grande parte destes jogadores está nas divisões inferiores ou em times pequenos.
O potiguar Felipe Augusto Leite, presidente da FENAPAF, a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol, disse em entrevista ao portal UOL que uma nova paralisação será um desastre
“O impacto será de morte, um desastre se ficarem sem atividades. O quadro se tornará quase que irreversível para dignidade e sustento deles e das famílias deles. Além de tudo o que houve no ano passado, com desemprego em massa, desespero, fome, jogadores procurando a Justiça do Trabalho [para rescindir contrato], fechamento de clubes, fim de competições, fim de patrocínio, agora será um caos generalizado”.
A paralisação de 2020 causou traumas nos clubes menores e nos jogadores de centros ou times com menos visibilidade. Como a interrupção no ano passado aconteceu na reta final dos Estaduais, times menores sofreram muito e tiveram de se reinventar, uma vez que na maioria das vezes contratam atletas somente para a disputa dos torneios regionais. Do outro lado da mesa, os jogadores ficaram sem contrato, desamparados. Alguns clubes optaram por reduzir os salários enquanto os jogadores estavam em casa. Quando voltaram a treinar, os salários aumentaram um pouco. E quando voltaram a jogar, houve novo reajuste. Relatos que chegam nos sindicatos de atletas profissionais apontam que muitos atletas não conseguiram retomar suas carreiras após a paralisação do futebol em 2020. Se não estavam jogando, não estavam na vitrine, ficando esquecidos pelo mercado.