As canetas emagrecedoras eliminam cerca de 20% do peso corporal e têm contribuído para a redução nas cirurgias bariátricas. A revelação é do presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Juliano Canavarros, em entrevista a’O Globo.
Estudo da JAMA Surgery apontou queda de 34,1% nas bariátricas nos EUA entre 2022 e 2024, período em que o uso das canetas cresceu 140,4%. No Brasil, dados da ANS mostram redução de 18% nas bariátricas da rede privada em 2024 em relação ao ano anterior.
O presidente da SBCBM estima queda média de 25% na procura por cirurgias no último ano, com variações entre regiões do país. Segundo Canavarros, pacientes com obesidade leve ou moderada têm evitado a cirurgia ao alcançar perda de peso e melhora de comorbidades com as canetas.
Já pacientes com quadros mais graves de obesidade continuam recorrendo às bariátricas com maior frequência, afirma o especialista.
Para 2025, Canavarros projeta que a queda nas cirurgias já deve ter superado os 20%, acompanhando a expansão do tratamento farmacológico.
Apesar da redução, o SUS mantém filas extensas para bariátricas: somente em outubro do ano passado, mais de 10 mil pessoas relataram espera prolongada pelo procedimento.
Canavarros descarta o fim das cirurgias, argumentando que medicamentos e bariátricas se complementam e que casos graves continuarão exigindo intervenção cirúrgica.
O especialista projeta que, até 2030, cerca de 30% da população brasileira estará obesa, com 12% em quadros mais graves, mantendo demanda por cirurgia.