A atuação do ministro do STF Gilmar Mendes contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) tem gerado preocupação entre aliados da Corte, que alertam para um possível efeito negativo da ofensiva.
Segundo o O Globo, interlocutores que conversaram com ministros do Supremo avaliam que as medidas podem funcionar como um “tiro no pé”, ao dar visibilidade política aos críticos e ampliar a rejeição ao tribunal. Mendes pediu ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, a investigação de Vieira por abuso de autoridade e solicitou ao ministro Alexandre de Moraes a inclusão de Zema no inquérito das fake news.
De acordo com quatro aliados ouvidos, a estratégia pode ir além do razoável, favorecer eleitoralmente os dois políticos e acirrar a insatisfação do eleitorado com o STF, especialmente em um momento em que dois terços do Senado serão renovados.
Apesar dos alertas, os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Dias Toffoli não demonstram recuo. Ainda segundo relatos, eles avaliam que o Supremo deve intensificar sua atuação para evidenciar os riscos enfrentados por políticos em confronto com a Corte e descartam críticas baseadas em pesquisas de opinião sobre a queda de confiança no tribunal.
Em meio ao cenário, o ministro Flávio Dino publicou, na segunda-feira (20), um artigo com propostas de reforma do Judiciário. No texto, atribuiu a crise de credibilidade do STF a decisões envolvendo temas como armamento, pandemia, fake news e ataques à democracia, e não ao caso relacionado ao Banco Master. Dino também fez críticas indiretas ao Código de Ética proposto pelo presidente do STF, Edson Fachin.
As iniciativas são consideradas por aliados como ousadas e arriscadas, embora compatíveis com o histórico de atuação do grupo. Interlocutores afirmam que os ministros acreditam ter controle da situação política em Brasília e acompanham de perto movimentações no Senado por meio de parlamentares que repassam informações e recados.