O terreno que o senador Jaques Wagner (PT) vendeu por R$ 15 milhões teve valorização de 11.400% em 25 anos e integra uma negociação suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Compliance Zero. A área fica às margens da Via Metropolitana, rodovia planejada durante a gestão do parlamentar como governador da Bahia. A investigação apura suspeitas de irregularidades relacionadas ao Banco Master.
Documentos obtidos pela Folha de S.Paulo mostram que o imóvel, com cerca de 51 mil metros quadrados, foi comprado por Jaques Wagner em março de 2000 por R$ 28 mil, o equivalente a aproximadamente R$ 130 mil em valores corrigidos pela inflação. Após 25 anos, o terreno foi vendido por R$ 15 milhões, uma valorização de cerca de 11.400%, ou 115 vezes o valor corrigido.
A área faz parte do empreendimento Lagoons, um condomínio residencial de alto padrão que será construído ao lado do novo centro de treinamento do Esporte Clube Bahia. A região passou por forte valorização imobiliária após a inauguração da Via Metropolitana, em 2018. O projeto da rodovia começou a ser desenvolvido durante o governo de Jaques Wagner e foi concluído na gestão do ex-governador Rui Costa.
Além do terreno, o STF também suspendeu a venda de um apartamento do senador, avaliado em R$ 10 milhões, localizado no Corredor da Vitória, uma das áreas mais valorizadas de Salvador. Somados, os dois negócios renderiam R$ 25 milhões ao parlamentar.
A Polícia Federal investiga suspeitas de que Jaques Wagner tenha atuado em favor de interesses ligados ao Banco Master, o que é negado pelo senador. Nesta semana, ele foi intimado a prestar depoimento em agosto no âmbito da Operação Compliance Zero. A defesa afirma que a venda do terreno foi negociada em 2024 e formalizada em 2025, e que todos os esclarecimentos já foram prestados às autoridades. Já a empresa responsável pelo empreendimento informou que a aquisição ocorreu dentro dos critérios de mercado e sem relação com a investigação.
Com informações da Folha de São Paulo