O aumento das temperaturas, intensificado pelas mudanças climáticas, tem impactado o conforto urbano e ampliado desigualdades. Para transformar esse cenário em oportunidade, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolvem o projeto “Balanço zero de energia em edificações do clima quente”. A proposta é integrar sistemas fotovoltaicos já na concepção arquitetônica, com foco na realidade do Nordeste.
Coordenada pelo professor Aldomar Pedrini, do Departamento de Arquitetura (DARQ/UFRN), a iniciativa busca inserir o tema no ensino de Arquitetura e contribuir para metas globais de redução de emissões. Segundo ele, edifícios respondem por 34% do consumo de energia e 37% das emissões de CO₂ no mundo. No Brasil, a alta incidência solar no Nordeste torna a geração própria de energia uma alternativa economicamente atraente e cada vez mais demandada pelo mercado.
Um dos desafios é adaptar tecnologias BIPV (Building Integrated Photovoltaics), que utilizam elementos construtivos, como coberturas, janelas e paredes, para gerar energia. A equipe analisa o desempenho desses sistemas, especialmente quanto ao aquecimento indesejado das superfícies.
O avanço das tecnologias fotovoltaicas tem ampliado a viabilidade econômica do modelo. No Nordeste, painéis instalados em coberturas já apresentam retorno financeiro superior ao de aplicações tradicionais, chegando a um valor presente líquido (VPL) de até R$ 4.500 por metro quadrado. Até mesmo sistemas verticais, aplicados em fachadas, mostram rentabilidade com taxas de retorno entre 10% e 40%.
As soluções são testadas por meio de simulações em softwares como OpenStudio e SAM, seguindo protocolos nacionais e internacionais. A pesquisa também tem aplicação prática no ensino, na extensão universitária e em projetos comunitários, como uma micro usina agrovoltaica em João Câmara (RN). Além disso, há articulação com fabricantes e instaladores para testes em escala real e elaboração de recomendações para profissionais interessados.
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