A pesquisa Metadata/Grupo Dial revela um fenômeno interessante no cenário estadual: a força eleitoral de Allyson Bezerra parece nascer justamente da sua capacidade de circular entre campos políticos diferentes. Hoje, o prefeito de Mossoró consegue dialogar simultaneamente com setores da direita, do centro e até da esquerda, algo raro em um ambiente político cada vez mais polarizado.
Os números ajudam a explicar esse desempenho. Parte importante do eleitorado identificado com Jair Bolsonaro no RN demonstra simpatia pelo nome de Allyson. Ao mesmo tempo, ele também registra boa aceitação entre eleitores ligados ao presidente Lula. Essa transversalidade acaba transformando sua candidatura em um ponto de convergência para quem ainda não quer embarcar totalmente na lógica do “nós contra eles”.
Mas esse ativo político também carrega um risco embutido.
Quanto mais a disputa estadual ganhar contornos ideológicos e nacionais, maior tende a ser a pressão para que os eleitores retornem aos seus campos de origem. Nesse cenário, Cadu Xavier pode crescer naturalmente entre os lulistas, enquanto Álvaro Dias tende a consolidar o eleitorado bolsonarista.
Se esse movimento de alinhamento político se intensificar, o espaço ocupado hoje por uma candidatura de perfil mais amplo pode começar a encolher. Não necessariamente por rejeição a Allyson, mas pela tendência do eleitor de buscar coerência entre o voto para presidente e o voto para governador.
No fim das contas, o grande desafio da candidatura de centro é justamente esse: manter unidas bases eleitorais que, em um ambiente de polarização forte, costumam caminhar em direções opostas.