A homologação do nome de Rafael Motta (PDT) como pré-candidato ao Senado no campo governista veio acompanhada de uma movimentação intensa nos bastidores envolvendo a composição das suplências da chapa. Embora, oficialmente, lideranças da base tenham afirmado durante a reunião desta quarta-feira que o tema será debatido “no momento certo”, a discussão já estaria avançada internamente.
Segundo relatos de participantes do encontro entre partidos da esquerda potiguar, pelo menos sete nomes já circulam nos bastidores para ocupar as quatro suplências em disputa — duas ligadas à chapa de Rafael Motta (PDT) e duas da composição encabeçada por Samanda Alves (PT).
Chamou atenção, inclusive, o tom adotado pela presidente estadual do PDT, Márcia Maia. De acordo com fontes presentes, ela reforçou que existe um acordo político construído desde a filiação de Rafael ao partido e lembrou que o PDT seguirá alinhado ao projeto nacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao projeto estadual liderado por Cadu Xavier (PT).
Nos bastidores, porém, o PDT demonstra crescente incômodo com movimentos de setores da Federação PT/PV/PCdoB em torno das suplências. O receio dentro do partido é de que haja tentativa de esvaziar o espaço político acordado previamente para o grupo ligado ao ex-senador Jean Paul Prates (PDT).
Segundo interlocutores, o ministro Carlos Lupi (PDT) teria tratado pessoalmente do entendimento entre Rafael e Jean com a governadora Fátima Bezerra. Ainda de acordo com fontes do PDT, Lupi voltou a conversar sobre o assunto nesta quarta-feira com o presidente Lula, a pedido de Márcia Maia (PDT), diante da preocupação do partido com a movimentação de aliados da federação e com o que estaria sendo visto internamente como uma postura inerte do PT estadual diante da disputa.
O entendimento defendido pelo PDT é de que Rafael e Jean precisam caminhar juntos no projeto ao Senado, em uma construção que teria sido consolidada nacionalmente entre PDT e PT.
A movimentação gerou leitura política imediata dentro da própria base governista. Nos corredores, já circula um questionamento inevitável: o endurecimento do PDT acontece porque Rafael entrou no jogo eleitoral com mais força e melhor desempenho nas primeiras análises internas do que Samanda, ou existe também um componente de disputa por protagonismo dentro do próprio grupo governista?