Documentos mostram pagamentos de R$ 25,8 milhões do Banco Master a consultorias de ex-presidentes do Banco Central

Banco Central. Foto: Agência Brasil
Foto: Agência Brasil

Antes de ser liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado, o Banco Master contratou consultorias ligadas a três ex-presidentes da autarquia monetária. Dados da Receita Federal obtidos pela CNN Brasil apontam gastos de R$ 25,8 milhões entre 2022 e 2025. Descontados os tributos, os repasses chegaram a R$ 20,2 milhões.

Os valores foram identificados após a CPI do Crime Organizado do Senado aprovar a quebra de sigilo fiscal e bancário do Master. A medida deu acesso a informações da DIRF, documento em que empresas declaram impostos retidos na fonte. O objetivo era mapear pagamentos a pessoas físicas e jurídicas ligadas a políticos e ex-autoridades.

Henrique Meirelles, que presidiu o BC entre 2003 e 2010, recebeu como pessoa física cerca de R$ 13,4 milhões em dois pagamentos realizados em 2024 e 2025. O economista confirmou contrato de consultoria sobre macroeconomia e mercado financeiro com vigência entre março de 2024 e julho de 2025. Procurado, não se manifestou sobre o montante total recebido.

Gustavo Loyola, presidente do BC em dois períodos nos anos 1990, prestou serviços por meio de duas empresas. A Gustavo Loyola Consultoria Ltda recebeu R$ 6,3 milhões em parcelas mensais de R$ 250 mil entre 2023 e 2025. A Tendências Consultoria Integrada, da qual é sócio-diretor, recebeu outros R$ 430 mil pelo mesmo período.

Pedro Malan, presidente do BC entre 1993 e 1995, figura como consultor no escritório Mirza e Malan Sociedade de Advogados, que recebeu R$ 106,5 mil do banco em 2022. A banca informou que atuou em processo na 2ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro e que Malan não participou diretamente do contrato. As apurações integram investigações mais amplas que incluem servidores do BC afastados por suspeita de favorecimento ao banco.