O Sebrae-RN realiza, nesta quinta-feira (18), uma programação gratuita voltada ao fortalecimento do artesanato e à valorização da cultura local. A iniciativa, em alusão ao Dia do Artesão, acontece na Agência Sebrae Grande Natal, com palestra, roda de conversa e uma vivência criativa com pintura, dentro da proposta do projeto Feito de Criar.
A programação inclui a palestra “Como imprimir identidade cultural em peças artesanais?”, um momento de vivência criativa, além de uma roda de conversa sobre artesanato, cultura e desenvolvimento econômico. A ação busca estimular o olhar estratégico dos artesãos para o mercado, sem perder de vista as raízes culturais que dão autenticidade às peças.
De acordo com o Programa Estadual do Artesanato do Rio Grande do Norte (Proarte), do Governo do Estado/SETHAS , o Rio Grande do Norte conta com cerca de 13.544 artesãos cadastrados, um segmento que preserva tradições e movimenta a economia criativa no estado.
Entre as histórias que representam esse universo está a do artesão Jefferson Campos, paulista de nascimento, mas com raízes fincadas em Nova Cruz, no Agreste potiguar. Ele é um exemplo de como o artesanato pode transformar vidas. Após anos atuando no comércio varejista, onde chegou a ocupar cargos de supervisão na área de telefonia, Jefferson decidiu mudar de rota e investir naquilo que sempre foi uma paixão: o desenho.
A mudança veio por volta dos 35 anos, quando, em meio à rotina intensa do mercado corporativo, resgatou na memória a arte uma forma de aliviar o estresse. Foi nesse momento que conheceu a xilogravura, técnica que o encantou e se tornou o ponto de partida para uma nova trajetória profissional.
Depois de fazer cursos de desenho na adolescência na Capitania das Artes, Jefferson aprimorou sua técnica por meio de estudos independentes e vídeos na internet, inspirado por grandes nomes da xilogravura brasileira, como J. Borges. O que começou como um hobby rapidamente ganhou proporção. As primeiras encomendas surgiram entre poetas e cordelistas, e, em pouco tempo, ele já produzia capas e ilustrações.
“Chegou um momento em que eu precisei escolher entre a estabilidade do mercado formal e viver da arte. Foi uma decisão difícil, muita gente achou loucura, mas eu tinha apoio da minha família e a convicção de que daria certo. E deu”, relata Jefferson.
Hoje, Jefferson vive exclusivamente da xilogravura. Em seu portfólio, acumula mais de 300 capas de cordel, participação em exposições e realização de oficinas dentro e fora do estado.
Para a gestora da área de economia criativa do Sebrae-RN, Maézia Teodora, a programação do Dia do Artesão reforça o papel estratégico do Sebrae junto ao setor.
“Ao trabalhar a identidade cultural no artesanato, estamos fortalecendo não apenas a expressão artística, mas também a competitividade desses produtos no mercado. O artesanato carrega histórias, saberes e territórios, e quando isso é valorizado, ele se torna um ativo econômico ainda mais potente para o desenvolvimento local”, destaca.