O Papa Leão XIV pediu perdão pelo papel histórico da Igreja Católica na legitimação e manutenção da escravidão, em declaração publicada em sua primeira encíclica, divulgada neste domingo (25) no Vaticano.
O pedido, segundo o documento, atende a reivindicações antigas de católicos negros, ativistas e pesquisadores que cobravam um reconhecimento formal da Santa Sé sobre sua participação no colonialismo e em sistemas escravocratas.
Na encíclica, o pontífice reconhece que instituições ligadas à Igreja se beneficiaram da escravidão ao longo de diferentes períodos históricos e classifica esse passado como uma “ferida na memória cristã”, defendendo o reconhecimento transparente dessa responsabilidade.
Entre os documentos históricos citados está a bula “Dum Diversas”, emitida em 1452 pelo papa Nicolau V, que autorizava o reino de Portugal a conquistar territórios e escravizar não cristãos. O texto foi posteriormente associado à chamada Doutrina da Descoberta, utilizada como base ideológica para a colonização de regiões da África e das Américas.
Embora o Vaticano tenha repudiado oficialmente essa doutrina em 2023, as bulas papais ligadas ao período não foram anuladas formalmente.
O documento também destaca que a condenação explícita da escravidão pela Igreja ocorreu apenas em 1888, durante o papado de Leão XIII, quando diversos países já haviam abolido a prática.
Primeiro papa nascido nos Estados Unidos, Leão XIV também faz referência a sua própria história familiar. Segundo pesquisas genealógicas citadas na imprensa internacional, sua árvore inclui tanto pessoas escravizadas quanto proprietários de escravos, o que, segundo ele, reforça a complexidade histórica do tema.
Além do pedido de perdão, a encíclica aborda questões contemporâneas e faz paralelos entre a exploração histórica e novas formas de desigualdade e abuso no mundo atual.