Decisão de Moraes sobre Dosimetria reacende pressão da direita sobre o STF

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A suspensão da Lei da Dosimetria pelo Supremo Tribunal Federal (STF) intensificou os ataques de presidenciáveis da direita ao ministro Alexandre de Moraes e reacendeu, nos bastidores do Congresso, articulações para retomar o debate sobre anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) criticaram publicamente Moraes após a decisão que suspendeu os efeitos da legislação aprovada pelo Congresso Nacional e que poderia reduzir penas de condenados pelos atos golpistas, incluindo a do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Zema fala em atropelo ao Congresso

Nas redes sociais, Romeu Zema afirmou que Moraesse considera intocável” e acusou o ministro de “atropelar o Congresso”. O ex-governador também disse que o magistrado desrespeita representantes eleitos e amplia o sofrimento de presos ligados ao 8 de janeiro.

Zema já havia protocolado, em março, um pedido de impeachment contra Moraes após a divulgação de mensagens envolvendo o ministro e o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Flávio Bolsonaro critica “canetada monocrática”

O senador Flávio Bolsonaro afirmou que a decisão do Congresso foi derrubada “numa canetada monocrática” e acusou Moraes de revogar decisões tomadas pelos “verdadeiros representantes do povo”.

Segundo interlocutores, Flávio vinha evitando confrontos diretos com o STF após as repercussões envolvendo o caso Banco Master e em meio às articulações que levaram o pai, Jair Bolsonaro, à prisão domiciliar em março.

Caiado fala em violação da separação dos Poderes

Ronaldo Caiado classificou como “deplorável” a atuação de Moraes e afirmou que a suspensão da Lei da Dosimetria representa um ataque à separação entre os Poderes.

Segundo o ex-governador, prolongar o debate sobre o 8 de janeiropassando por cima dos representantes eleitos pelo povo” impede que o país avance politicamente.

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Oposição articula PEC da anistia

Nos bastidores, lideranças oposicionistas passaram a discutir a apresentação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para conceder anistia “ampla, geral e irrestrita” aos condenados pelos atos golpistas.

A avaliação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro é de que a decisão de Moraes pode servir como combustível político para ampliar a pressão sobre o STF e mobilizar a base bolsonarista durante o período pré-eleitoral.

Governistas comemoram decisão do STF

Do lado governista, partidos da base comemoraram a suspensão da lei. A federação formada por PT, PCdoB e PV protocolou ação no STF alegando que a Lei da Dosimetria é incompatível com princípios constitucionais.

O presidente do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, afirmou que a legislação representa um “retrocesso no enfrentamento aos crimes contra a democracia”.