Na reunião e entrevista coletiva realizada na sede da Federação Norte-riograndense de Futebol para avaliar a decisão do Governo do Rio Grande do Norte de suspender o Campeonato Potiguar, o clima era de desespero dos dirigentes.
O presidente da FNF, José Vanildo disse que foi surpreendido e que conversou com a Governadora Fátima e adiantou que diferente do que aconteceu na retomada de 2020, a situação financeira agora é muito complicada
” Quando retornar vamos para junho para terminar o campeonato, são mais três folhas e a federação não vai ter como fez ano passado, que só de testagem foi mais de 90 mil reais e zero de recurso público. Como vai ser isso? Como é que os investidores vão pagar por um produto que não existe? A Band fazia dois jogos por semana, depois só e agora não tem mais o que transmitir. Eu disse ao secretário que essa decisão está levando o futebol potiguar para a morte, se estava em dificuldades vamos enterrar agora. O fundamento médico não nos atinge, nós cumprimos todos os protocolos. Insisti com a governadora e falei com ela e disse que a todo o instante o futebol esteve ao lado do governo e infelizmente o governo não tem sequer uma secretaria de esportes, disse isso a ele ( Fátima Bezerra ) vivemos de soluções pontuais”
Ricardo Valério, presidente do América, afirmou que os jogadores estão seguros e que o clube cumpre os protocolos
“Não tivemos nenhum caso registrado. Nossos jogadores estão muito bem administrados pelos médicos e é isso que queremos colocar. As consequências serão desastrosas, só ABC e América ainda tem competições futuras e outros seis clubes? Como é que vão pagar mais duas folhas de pagamento? A maioria vai dispensar jogadores e o nosso campeonato vai para. E como é que vai ficar? Nós já estávamos dentro do “novo normal” com um protocolo sério e respeitado. O futebol vai para a UTI”
O presidente do ABC, Bira Marques foi mais longe e admitiu a possibilidade de renunciar ao cargo
” Foi uma noticia muito triste e que nos pegou de surpresa, tínhamos a certeza que o futebol não iria parar. No Brasil nenhuma outra atividade é tão testada quanto é o futebol. Qual o foi o caso que tivemos no nosso futebol? Tudo o que nós programamos para ficar até o final do ano vai por água abaixo. Eu particularmente não sei o que vou fazer, a gente passou de fase na Copa do Brasil assim como o América passou e esse dinehro de cota era para complementar nosso orçamento. Como é que vamos ficar parados? O futebol do RN não tem condições, eu não tenho condições de ficar em uma situação dessas! Eu particularmente penso muito e muito esmo, vou conversar com a diretoria e acho que não dá para continuar. É muito complicado, sou empresário em Natal e o meu comércio já não poderá mais funcionar a partir de amanhã (20) e agora o futebol vai parar, é muita coisa”.
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Lupércio Segundo, presidente do Santa Cruz
” Acho que ninguém é alheio ao que está acontecendo no mundo, mas nunca é demais repetir que os envolvidos no futebol são os profissionais mais testados no país. Nós estávamos muito seguros quanto a continuidade da competição e protocolos. Todos os clubes fizeram investimentos com dificuldades, mas todos seguros que a competição iria continuar. Os protocolos já são agressivos, jogar sem público a gente entende mas agora não tem sentido”.
Allan Almeida, gestor do Palmeira do Agreste, também lamentou a postura do Governo
” Sabemos claro que sabemos dos problemas sérios de Covid mas não tivemos nada que justifique essa decisão. É lamentável a postura de suspender o futebol, a gente chora por várias vertentes, pelas vidas que se foram e chora também pela vida do futebol que por alguns clubes vai morrer. Acredito que o Palmeira dificilmente voltará para o futebol caso essa suspensão seja efetiva”