Após o anúncio de cessar-fogo feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e confirmado por autoridades do Irã, os dois países se preparam para iniciar negociações presenciais na sexta-feira (10), em Islamabad.
O convite foi feito pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador das conversas entre Washington e Teerã.
Segundo autoridades, as negociações podem durar até 15 dias e devem tratar de temas centrais como a reabertura do Estreito de Ormuz, alívio de sanções econômicas e retirada de forças militares americanas de bases na região.
Cessar-fogo condicionado a Ormuz
O cessar-fogo foi anunciado por Trump poucas horas antes do prazo estabelecido por ele para que o Irã garantisse a reabertura do Estreito de Ormuz.
O presidente afirmou que a suspensão dos ataques por duas semanas está condicionada à abertura “completa, imediata e segura” da via marítima, considerada estratégica para o comércio global de energia.
Trump também declarou que os Estados Unidos já teriam atingido seus objetivos militares e que há avanços rumo a um acordo de longo prazo.
Segundo o governo americano, o Irã apresentou uma proposta de dez pontos considerada base para negociação. Teerã, por sua vez, indicou que o plano contempla interesses econômicos e estratégicos do país.
Países como Egito e Turquia também atuaram como intermediários nas tratativas.
O chanceler iraniano, Abbas Aragachi, afirmou que a passagem por Ormuz poderá ocorrer durante o período de cessar-fogo, sob coordenação das forças armadas iranianas.
Cessar-fogo sob tensão
Apesar do anúncio, registros de ataques foram reportados em países da região, incluindo Israel, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Arábia Saudita, com interceptação de mísseis e drones.
Autoridades americanas informaram que os ataques diretos dentro do Irã foram suspensos, enquanto o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, determinou a interrupção das ofensivas militares.
Ainda assim, o governo iraniano afirmou que o cessar-fogo não representa o fim do conflito.
Cenário segue instável
A negociação em Islamabad é vista como tentativa de reduzir a escalada no Oriente Médio, mas ocorre em meio a desconfiança entre as partes e episódios recentes de ataques após o anúncio da trégua.
O desfecho das conversas deve impactar diretamente a segurança regional e o mercado global de energia.