Moraes pede parecer da PGR sobre prisão domiciliar de Bolsonaro

O novo pedido foi reforçado na terça-feira (17) - Foto: Reprodução

Aliados do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, avaliam que há um novo cenário favorável à concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro, após a piora em seu estado de saúde. A estratégia seria sustentar que a situação atual difere da analisada anteriormente, quando o pedido foi negado.

Bolsonaro foi internado para tratar uma broncopneumonia e chegou a ficar em estado grave, com registro de injúria renal aguda, segundo informações médicas encaminhadas ao ministro pelo Hospital DF Star. Ele precisou do uso de três classes de antibióticos para controlar a infecção e, embora apresente quadro estável, ainda não tem alta prevista antes do dia 27. De acordo com seus médicos, o ex-presidente necessita de acompanhamento contínuo para evitar nova broncoaspiração.

Esses elementos devem embasar a manifestação da Procuradoria-Geral da República, solicitada por Moraes após a defesa pedir a reconsideração da decisão que manteve Bolsonaro no 19º Batalhão da Polícia Militar, no Complexo da Papuda, conhecido como “Papudinha”.

Desde que foi transferido para a unidade prisional, no Distrito Federal, Bolsonaro apresentou episódios de mal-estar, mas teve pedidos de prisão domiciliar negados pelo ministro, que apontou risco de fuga. Antes disso, o ex-presidente chegou a ser detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, após tentar romper a tornozeleira eletrônica que utilizava.

Na terça-feira (17), o senador Flávio Bolsonaro e o advogado Paulo Amador Bueno se reuniram com Moraes para reforçar o pedido da defesa. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também já havia feito solicitação semelhante anteriormente.

Segundo relatos, Moraes vinha resistindo à mudança de entendimento, mas passou a receber apelos de outros ministros do STF e de interlocutores do governo Luiz Inácio Lula da Silva, diante da preocupação com o risco de agravamento do quadro de saúde de Bolsonaro.

Nesse contexto, aliados avaliam que o ministro pode reconsiderar a decisão, desde que a eventual concessão da prisão domiciliar seja justificada por uma mudança significativa nas condições de saúde do ex-presidente.