[VÍDEO] Mãe revela que grupo de pedofilia que incluiu crianças de Natal já tinha quase 500 membros

Grupo continha 447 membros e compartilhava imagens de pornografia com crianças - Foto: Eryka Silva / 98 FM
Grupo continha 447 membros e compartilhava imagens de pornografia com crianças - Foto: Eryka Silva / 98 FM

O grupo de WhatsApp com teor de pedofilia descoberto por mães de Natal nesta terça-feira já contava com 447 membros, segundo Juliana Carvalho, mãe de um menino de 11 anos que foi adicionado. No grupo, a mãe encontrou mensagens com conteúdo pornográfico e discurso de ódio, que eram compartilhados para todos os membros, sendo a maioria crianças.

Em entrevista à 98 FM nesta quarta-feira, Juliana Carvalho contou que o filho entrou ficou no grupo porque identificou a presença de colegas de classe e da escola onde estuda, mas que deixou o grupo assim que percebeu as mensagens estranhas.

“Ele me relatou que ele tinha sido incluído nesse grupo, e quando viu a quantidade de pessoas conhecidas que ele tinha da escola que estavam nesse grupo, ele continuou no grupo. E aí foi quando começaram a mandar as imagens e as figurinhas estranhas, de um teor bem de pedofilia mesmo”, disse a mãe à repórter Eryka Silva.

O menino disse à mãe que o grupo tinha cerca de 10 a 15 colegas da escola dele, incluindo estudantes de sua mesma turma e de outros horários. Juliana alertou outras mães sobre a existência do grupo, e elas também identificaram que os seus filhos eram membros da comunidade.

“Hoje de manhã, ainda tinham mães que viram que as crianças, que os filhos ainda estavam no grupo, porque só viram minha mensagem hoje pela manhã”, declarou.

O número que aparece como o administrador do grupo usa uma foto de um menino, que parece ser menor de idade. Segundo relatos obtidos pela reportagem, as crianças foram adicionadas por contatos anônimos com DDDs de vários locais do País, inclusive Natal.

Nos grupos, os membros fazem correntes incentivando as crianças a adicionarem os colegas. Eles também realizaram enquetes para colher informações sensíveis, como a escola onde estudam e a classe que cursam.

Investigação

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte informou, em nota, que o Departamento de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPGV) está acompanhando e apurando os fatos relacionados a esse caso. A nota informa ainda que, neste momento, a polícia não irá fornecer mais detalhes para não comprometer o andamento da investigação.

Expor crianças a pornografia é crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e configura uma grave violação dos direitos da infância. A legislação brasileira, especialmente no artigo 241-E do ECA, tipifica como crime a conduta de “induzir, instigar ou auxiliar criança ou adolescente a se exibir de forma sexualmente explícita ou pornográfica”, com pena que pode chegar a até 6 anos de reclusão.

Além disso, produzir, divulgar ou compartilhar conteúdo pornográfico envolvendo menores é igualmente criminoso, com sanções ainda mais severas.

Como denunciar?

A assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que os pais de crianças colocadas no grupo devem registrar boletim de ocorrência pela internet ou na delegacia mais próxima. Caso morem em Natal, podem ir à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). É recomendada ainda a apresentação do celular ou de prints com as mensagens.