O presidente do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), Manoel Paulo de Andrade Neto, afirmou que já manifestava preocupação com a condução do Banco de Brasília (BRB) antes mesmo da deflagração das investigações envolvendo o Banco Master. Segundo ele, a desconfiança sobre a gestão do então presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, foi externada em uma conversa ocorrida cerca de dois anos atrás.
Em entrevista ao Repórter 98, da 98FM Natal, Manoel disse que, embora não dispusesse de elementos técnicos naquele momento, a velocidade da expansão do banco despertava dúvidas.
“Eu tinha desconfiança. Eu não acreditava. A performance do banco não me atraía, não me dava sustentação, não me dava conforto“, afirmou.
Segundo o conselheiro, chamavam sua atenção a abertura acelerada de agências, a realização de grandes contratos e o ritmo de crescimento da instituição financeira.
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Pressa nas operações chamou atenção
Ao comentar o avanço das investigações sobre o Caso Master, Manoel de Andrade afirmou que um dos aspectos mais preocupantes foi a rapidez com que operações envolvendo o BRB foram conduzidas antes mesmo das autorizações necessárias.
Na avaliação do presidente do TCDF, negociações concretas teriam avançado antes da autorização legislativa e da manifestação definitiva dos órgãos competentes.
“Um dos elementos que para a gente tem muito peso foi a pressa de se fazer uma venda. Antes mesmo da autorização do Legislativo já tinham sido feitas tratativas concretas e operações que hoje estão sendo investigadas“, declarou.
Ele acrescentou que uma das situações que mais despertaram preocupação foi a movimentação de recursos do BRB para o Banco Master antes da conclusão formal da operação.
Tribunal aguarda balanço de 2025
O presidente do TCDF voltou a cobrar a divulgação das demonstrações financeiras de 2025 do BRB, documento considerado essencial para o julgamento das contas do Governo do Distrito Federal.
Segundo Manoel, o Tribunal ainda trabalha com informações limitadas porque os balanços da instituição financeira permanecem pendentes.
Para ele, a demora pode indicar que os números ainda estão sendo consolidados em razão da gravidade da situação.
“Se o balanço estivesse bom, já tinha sido entregue”, afirmou.
Ele acrescentou que somente após a entrega dos demonstrativos será possível medir a extensão dos impactos financeiros e identificar responsabilidades administrativas.
Julgamento poderá gerar responsabilizações
Questionado sobre os reflexos políticos do caso, Manoel explicou que o Tribunal emitirá parecer técnico sobre as contas do governo e que eventual rejeição poderá produzir consequências previstas na legislação eleitoral, embora a palavra final caiba ao Poder Legislativo.
Sem antecipar conclusões, o presidente afirmou que a análise dependerá dos dados contidos no balanço do banco.
“Todos precisam ser responsabilizados”
Durante a entrevista, Manoel de Andrade voltou a defender que todas as pessoas eventualmente envolvidas nas irregularidades sejam investigadas, independentemente da posição que ocupem.
Segundo ele, a responsabilização deve alcançar todos aqueles que tenham contribuído para eventuais prejuízos ao patrimônio público, sempre respeitando o devido processo legal.
“Todos deverão ser alcançados e responsabilizados pelo quanto fizeram. O que não pode é ficar alguém escondido e não ser lembrado sendo o causador do malfeito“, afirmou.
O presidente do TCDF também reiterou que, na sua avaliação, a recuperação dos recursos públicos deve ser prioridade.